“Penso que um artista não deva temer o egoísmo e não deva temer a solidão”

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Por Gianni Paula de Melo

Troquei alguns e-mails com o escritor Paulo Scott em novembro do ano passado. Uma parte dessa conversa se transformou em matéria para a revista Café Colombo, mas uma parte muito maior foi subaproveitada e ficou guardada na pasta do computador.

Nosso assunto era o livro O ano em que vivi de literatura e o universo de Graciliano, primeiro protagonista homem da obra de Scott. O personagem, perdido num labirinto hedônico e solitário, convida a vários questionamentos sobre a condição do escritor hoje (e sempre?). Fico feliz que a íntegra dessa entrevista sobre o livro e o cenário literário contemporâneo esteja disponível a seguir.

O livro de Paulo Scott foi editado em 2015 pela editora Foz

O livro de Paulo Scott foi editado em 2015 pela editora Foz

GIANNI PAULA DE MELO – Qual o preço que se paga quando se opta por viver de literatura?

PAULO SCOTT – O preço é o tempo, a moeda é sempre o tempo (um tempo particular que sobra e outro tempo que desaparece), mas imagino que, sob uma perspectiva mais pragmática, sejam as consequências mais elementares (de investimento na sobrevivência e no conforto material) que são as consequências do abandono de outras oportunidades, de outras alegrias, de outras chances.

Também o enfrentamento de um ócio, assustador, de um passar dos dias que te prensa contra a parede, porque já não há mais para onde escapar, para onde correr, o que culpar, a quem culpar, você fica diante da sua capacidade, e da sua incapacidade, de resolver as próprias ambições, os próprios limites e eventuais inclinações a leituras romantizadas (reeditadas, inclusive na memória) da sua trajetória pessoal.

Há ainda a certeza de que – em um cenário determinado, de tentar ser escritor em tempo integral no Brasil, um país ainda maravilhoso, mas que, na sua integridade, nas suas violências, projeta uma resistência considerável, quase imbatível, quando se busca alguma relação mais estreita, contínua, profunda com a literatura – você está dando o seu melhor e esse melhor pode não ser suficiente. É uma sensação brutal.

GIANNI  – Você concorda que quando a literatura se torna o “ganha pão”, a perda de liberdade e a pressão por produtividade podem virar problemas?

PAULO – Liberdade e produtividade são consequências mais complexas, não necessariamente atreladas a ter paz ou certeza de que se irá pagar as contas no final do mês. Prefiro pensar que não haja uma fórmula, não haja uma receita; cada um precisa descobrir a sua maneira de funcionar.

Entendendo muito os que não se arriscam na direção dessa experiência de largar tudo e tentar viver de literatura, seja lá o que isso signifique, por um tempo. Não acho que ter a literatura como ganha pão (o que significa dizer: ter todo o seu tempo para maquinar o que produzir) seja mais heroico do que ter uma profissão mais ou menos diversa, uma atividade paralela, que pague as contas.

Você pode produzir coisa boa tendo estabilidade em alguma tarefa paralela e pode produzir coisa boa sendo alguém que a cada início de mês não tem certeza se conseguirá pagar as contas do mês – já que teimou em se sustentar com o que recebe pela literatura de ficção que produz.

No final, é o resultado que importa.

Por isso, não dou atenção a quem fica dizendo que se dedica exclusivamente à literatura, à seriedade da literatura, que só a seriedade da literatura importa, fazendo pouco de outras manifestações, rotinas e cercanias, que possam, eventualmente, ser conectadas à produção literária (incluo aqui as viagens e festas literárias). Alguém que argumenta por meio da sua postura (da sua entrega abnegada, da sua autoproclamada seriedade, do seu martírio, da sua pretensa rigidez e vocação a se tornar o grande salvador do mundo e blá-blá-blá) para justificar o mérito do que produz, tenho certeza, é alguém que já começa muito mal.

Não seremos julgados pelos nossos processos, talvez pelo nosso éden, pela nossa capacidade de projetá-lo, ou pelos nossos demônios enjaulados, pela habilidade e pela coragem de arriscar, de errar até, mas não pelas fórmulas aplicadas.

O que aconteceu comigo – um cara que se deu por satisfeito pelo fato de o seu primeiro livro de prosa, o Ainda orangotangos, ter repercutido um pouco – foi: as coisas começaram a acontecer, editoras me procuraram querendo saber quais os meus projetos futuros, daí fui reforçando escolhas na direção de tentar ser escritor, meus livros foram sendo publicados, sem que eu tivesse de fazer concessões (suponho que, sob esse ângulo, o caso mais emblemático seja o livro de poesia A timidez do monstro, que saiu pela Editora Objetiva, em 2006).

Se tiver de batalhar em emprego fora da bolha “escrever literatura” para poder pagar as contas e sobreviver, farei isso sem problema algum (como tive de fazer, por três meses, em determinada altura deste ano).

GIANNI – Em uma entrevista, você fala que Graciliano é um personagem que você entende bastante. Um dos motivos é ele estar inserido em um universo que você conhece bem – o meio literário. Se esta ponte estiver certa, o nosso meio literário seria um lugar de muita vaidade e muito cinismo.

PAULO – Vamos partir do seguinte: preciso entender bem o personagem que construí (mesmo que o leitor, em sua leitura, possa compreendê-lo de modo bem diverso, há uma origem que só pode ser lançada pelo autor), inseri-lo em uma trama não significa revelar por completo a sua verdade ou a verdade que considerei para construí-lo. A consideração que você refere leva em conta estruturas que, talvez, possam ser trabalhadas ficcionalmente com melhor êxito por alguém que participa de determinada experiência. Conheço o cenário, o cenário que acabará transfigurado na história, em função da história, é o que posso dizer.

Anoto: trata-se de uma obra de ficção. Vaidades e cinismos, principalmente em face da necessidade de aprofundar as contradições de Graciliano – o primeiro protagonista homem branco em um romance meu –, não poderiam deixar de estar presentes. Não acho, todavia, que vaidades e cinismos sejam mais acentuados no meio literário; elas são realidades detectáveis em qualquer espaço intelectual, artístico. Talvez, no grupo dos escritores se consiga articular ataques/argumentos de uma forma mais elaborada, mais dramática, mitificante, do que se possa articular, em quantidade expressiva de casos, em outros grupos; mas essa não é uma preocupação da narrativa armada no O ano em que vivi….

No livro, a vaidade é um elemento relevante porque ela é um dos fatores que conduzem o protagonista a um estado de cegueira que lhe impede de perceber que, naquela suposto ideal – de sexo fácil e liberdade para fazer o que desejar, já que está solto e muito bem recomendado/credenciado em uma cidade nova (uma das mais cobiçadas do planeta) –, não conseguiu, para si, algo muito melhor do que apenas um novo tipo de prisão.

Por tratar enfaticamente do estrago (e redenção) que as redes sociais vêm produzindo na vida de todos nós, o cinismo não poderia deixar de ganhar o seu destaque. O cinismo é uma das chaves-mestras mais usadas por nós nas redes sociais – é um tipo de chave universal dos portões do inferno, você a emprega, contamina quem estiver por perto, mas, mesmo usando máscaras variadas, também se contamina.

GIANNI – Em Ithaca Road, assim como em O ano em que vivi…,  existe um irmão que desaparece e desestrutura a realidade do protagonista. Qual motivação pra essa imagem de ausência recorrente nas tuas narrativas?

PAULO – A ausência súbita de Bernard, o gatilho do arco narrativo de Ithaca Road, não é tão importante à conformação da protagonista Narelle quanto a ausência de Flávia é importante para a constituição do caráter, da busca e das contradições de Graciliano.

Trabalho bastante com a ideia de busca, busca por alguma redenção (para meus protagonistas – eu os apresento sempre em situações-limite, e, então, eles, bons ou maus, buscam, buscam desesperadamente, uma saída).

Lembro: para que haja busca é necessário que haja ausência de algo.

De outro lado, mas ainda em atenção à sua pergunta, tenho como importante a consideração dos laços familiares, sanguíneos ou não, para utilizá-los como combustível na condução das narrativas. É em relação aos laços familiares que as ausências produzem mediatamente (e imediatamente também) os maiores estragos emocionais, psicológicos, físicos. Fascina-me, por exemplo, nesse espectro, a ideia de que o parto é o início de uma ausência irreparável – algo que acabou ficando mais explícito no Habitante irreal.

GIANNI – O exercício de liberdade de Graciliano passa por excesso, hedonismo, indisciplina e egoísmo. Com o avançar da narrativa, observa-se que é antes um exercício (involuntário) de solidão.

PAULO – Mais do que tudo, Graciliano busca o egoísmo, um egoísmo que ele não poderia exercer ou ambicionar como dedicado professor de história que foi em Porto Alegre antes de se mudar para O Rio de Janeiro; ele busca esse egoísmo como se fosse uma espécie de libertação – a imagem da irmã que decidiu desaparecer, o egoísmo dela, é crucial nesse sentido, mas a presença, um tanto desestabilizadora de Lenara (ela é o gatilho da trama), justo por reforçar essa intenção de busca incerta, também o é.

Quanto à solidão, bem, a solidão é algo do que o escritor não pode fugir. Encarar a solidão, solidão mesmo, é o básico. É muito fácil ser corajoso e convicto quando se anda amparado por um grupo, por um clube, quando se está sob as asas de um padrinho, de alguém que endosse o seu trabalho e promova o seu trabalho em troca de adesão, da sua adesão, que – longe de mim passar aqui por purista –, às vezes, até pode ser um curso inevitável. Penso que o livro trabalha com a proposição do quão, entretanto, é difícil aprendê-la (a solidão).

Produzir com relevância (mesmo que equivocadamente) é conseguir se equilibrar única e exclusivamente na sua própria voz, no seu próprio projeto, sem concessões de equipe, de turma, de vínculo discípulo/mestre. Nisso, uma perspectiva egoísta pode ser um modo de conquistar essa singularidade, essa expressão – esse é um exercício reverso que acaba ecoando na narrativa.

Penso que um artista não deva temer o egoísmo e não deva temer a solidão, não deva disfarçá-la.

GIANNI – Pode-se dizer que esta é uma chave da desorientação do Graciliano, o fato dele lutar incessantemente para camuflar essa condição solitária? 

PAULO – Acho que ele tem dificuldade de entendê-la. Nessa aventura, nessa verticalização dele (desencadeada em parte pela provocação de Lenara) está um pouco do tom satírico que eu sustento (até como crítica, crítica mesmo), porque, no fundo, ele ainda não está preparado.

Como é uma narrativa em primeira pessoa e que se passa no passado, O ano em que vivi… acaba sendo uma espécie de escrutínio feito a seco por um doutor em História sobre uma época de sua vida – é claro que o leitor não saberá (nem eu sei) se ele voltou para o curso de História, se acabou se tornando escritor ou se acabou se perdendo no mundo (realizando aquilo que não conseguiu fazer no grupo de terapia, lá no começo, em Porto Alegre), preso para sempre na fixação por Flávia.

GIANNI – Graciliano também traz como marca forte esta apropriação das redes sociais e como o escritor passou a se preocupar mais com a construção de uma imagem nesses ambientes virtuais do que a partir da própria obra. Que consequências essa atitude pode ter para a Literatura?

PAULO – Sim. Perfeito.

Bem, é o fim da inocência. O escritor é convidado a se submeter às ondas da rede, ser simpático, atencioso, apoiar o que todos os sempre bem intencionados e paladinos da justiça apoiam, ser presente, produzir likes, ajudar a movimentar a máquina, candidatar-se a funcionário do mês em cada uma delas (do Instagram ao Facebook) e até ser a flâmula erguida de linchamentos pontuais.

O escritor acaba engolido por essa lógica da carência sem fim, não consegue escapar impune, porque ele sabe que a nova realidade não está mais nos jornais impressos, nas revistas impressas, não está na realidade física, nos eventos, nos seus lançamentos, nas suas palestras. No cômputo geral da efetividade, o que vale é o que está nas redes sociais e repercute bem nas redes sociais. É um contexto complicado, um desenrolar do qual (e no qual) nós ainda não nos apropriamos de uma forma madura. No romance, Graciliano tenta, da sua forma carismática e ingênua, mas não acho que consiga lidar com tudo isso de maneira sóbria.

O fato é que estamos passando por um momento inicial, um momento de infância das redes sociais. Não tenho dúvida de que internet é boa para a literatura, para os poetas, para os prosadores e, principalmente, para os leitores (rupturas importantes vêm ocorrendo desde o início dessa revolução tecnológica), mas as redes sociais e as suas respostas imediatas, suas jaulinhas, suas alianças imediatas, suas promiscuidades e, ainda mais grave, o seu silêncio, modelam uma forma de operar, uma forma limitadora, na cabeça dos escritores que as utilizam. Isso é terrível.

Certo que há graus diversos de permeabilidade. Nem todo escritor e suscetível à assunção desse papel a que me refiro, dessa persona, dos aplausos, vaias e silêncios que sua atuação – inevitavelmente performática – opera ou operará.

É uma via de mão dupla, como já referi antes, não há como não se contaminar.

O livro, a história do livro, registra o encerramento de um ciclo, um ciclo da literatura como a conhecíamos. Penso ser possível falar, sem estabelecer qualquer juízo de valor, em decadência de um período, um período no qual não se cogitava que literatura pudesse ser produzida em caixas de comentários e ser moldada de acordo com a quantidade de likes. O livro registra também a prevalência definitiva da mítica em torno do escritor (da imagem do escritor, da sua aptidão a se tornar uma figura interessante, uma figura vendável, uma subcelebridade) sobre o que ele de fato escreveu, como fator de aprovação da sua presença e da sua utilidade a uma estrutura precária – eu diria: bastante precária – como é o mercado editorial brasileiro e o seu reerguer (desde os anos da redemocratização política nos anos mil novecentos e oitenta, quando foram atenuadas as ações diuturnas das guilhotinas instauradas pelo regime militar inaugurado com o golpe de mil novecentos e sessenta e quatro).

GIANNI – Por outro lado, quando o escritor opta por se recolher e não intermediar a obra (penso aqui em casos extremos: Thomas Pynchon, Herberto Helder, Dalton Trevisan), tornam-se “objetos” de fetichismos e vêem suas escolhas pessoais ou em consonância com seus projetos literários se tornarem moeda de troca para o mercado editorial e o marketing.

PAULO – Pois é, tudo acaba sendo apropriado.

Tento me manter coerente, tento me manter na linha do que é relevante para mim (e só para mim); se o que produzo é bom ou não é bom, felizmente, é algo que não me cabe sentenciar. Sei que meus projetos, minhas intenções de escrever, podem receber um não definitivo a qualquer momento; penso que estou preparado para este não definitivo quando ele vier, se ele vier. O que não posso, já que falamos de liberdade e pressão relacionada à produtividade, é deixar de ser honesto comigo mesmo, diante desse incontornável esquema do tornar público e do consequente publicitar.

O que eu sei (e já fazendo um esforço para deixar qualquer romantismo de lado) é que daqui a cem anos provavelmente um percentual bem próximo a noventa e nove por cento do que está aí publicado, e publicitado, hoje estará esquecido, e será como se nunca tivesse existido – o que produzi, com toda certeza, também. Isso é tranquilizador.

GIANNI – É feita certa ressalva quanto à quantidade de eventos literários que estão acontecendo. A empolgação para com as leituras não parece tão intensa quanto à empolgação para com as festividades. É um tempo de muito interesse pelo autor e pouco pelos livros? Os eventos literários obtêm êxito no que se propõem?

PAULO – Eventos literários pagam boa parte das minhas contas.

É uma droga que, muitas vezes (nem sempre), o escritor seja induzido a se tornar uma pessoa melhor articulada diante do público para continuar sendo compatível com esse tipo de evento.

O que me parece apropriado demarcar é: performances, debates, leituras encenadas, palestras, todos sabemos, não são literatura – literatura é pegar um livro e ler. Dificilmente uma boa performance de poesia falada, por exemplo, conseguirá virar a cabeça de uma turma inteira de estudantes, a pontos de torná-los, um dia, leitores de  verdade, mas se conseguir despertar o interesse, mesmo que frágil, de dois, três, quatro alunos, já terá valido a pena.

O problema do Brasil é a educação, que é de péssima qualidade.

Enquanto a educação fundamental e do ensino médio não sofrer uma revolução que afete o país de sul a norte (o que implicará ter cidadãos mais preparados, mais aptos, a dominar linguagens e noções capazes de questionar, de igual para igual, os que governam e os que têm poder econômico) me parece um pouco despropositado falar em operar mudanças significativas por meio de eventos literários, mesmo reconhecendo, como eu reconheço (e a eles me integro), a pertinência dessas iniciativas.

GIANNI – Em sua coluna, você escreveu “o universo literário brasileiro contemporâneo precisa de leitores, leitores de verdade, não de tietes”. Você acha que hoje, ao fim e ao cabo, nós (os leitores) precisamos mais de ídolos – objetos de adoração – que da arte propriamente dita?

PAULO – Sim, acho. E lamento. Vivemos o tempo dos games, dos youtubers, da disputa acirrada por atenção (a crise, não necessariamente ruim, dos jornais ilustra bem isso), a predominância de uma velocidade que pouco tem a ver com a velocidade da leitura de uma obra literária de relativa complexidade. Há crise, sim. E voltamos ao problema da falta de educação escolar de qualidade, que precisa ser de qualidade. Desconsiderar isso, essa incapacidade geral de reconhecer o que é importante, insisto, será trágico, ainda mais trágico do que já é.

GIANNI – Em O ano em que…, o estilo é seco e direto, o que vai podando as possibilidades cômicas, mantendo uma tônica sempre triste, apesar das festas, do uísque e do sexo. Graciliano concretiza bem o personagem que você pensou quando deu início ao projeto ou ele se modificou no decorrer da escrita?

PAULO – Confesso, levei um tempo até encontrar a voz de Graciliano. Diferente do que acontece na maioria das obras que tratam da vida de escritor, sob o ponto de vista do jogo literário e da perspectiva do estereótipo dominante, defini (sob o ângulo da sátira) um protagonista, digamos, sortudo: é homem, é branco, é atraente, teve ótima formação escolar, é inteligente, vem de uma família com recursos financeiros, é bem tratado (e disputado) pelos editores e, para arrematar, ganhou um prêmio de trezentos mil com uma novelinha despretensiosa. O que falta para um sujeito como esse?

Reconheço que ele se tornou mais cínico, mais ácido e desencantado, do que eu havia planejado. Não acredito na mística de que as personagens conduzem o autor, mas não desconsidero que a execução da história acaba demarcando novos rumos, novas possibilidades – afinal é sempre algo que se busca descobrir.

O que me parece oportuno dizer é: eu queria uma história obcena (com uma linguagem sexual crua), não meramente erótica, mas que também satirizasse de maneira aguda a solidão (a solidão carioca em especial) – não é a toa que há tanto sexo –, o glamour do escritor em um país que não lê.

A sátira está nos excessos, nas obsessões (leia-se: cegueiras) do protagonista (tudo é engraçado por um tempo), nas carências dilatadas pelas redes sociais, no glamour que se esfacela ao longo da narrativa (enquanto o protagonista vai perdendo o altruísmo inicial, enquanto vai se acomodando à corda bamba), no fato dele não conseguir escrever e, claro, muito naquele final – sobre o qual, penso, não é o momento de falar.

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