Ava Yvy Vera – A Terra do Povo do Raio é o grande vencedor do VIII CachoeiraDoc

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Em cerimônia realizada no último sábado,  no Cine Theatro Cachoeirano, júri também premiou os curtas Travessia, A Gis e Deus

Por Chico Ludermir

O média metragem filmado por indígenas Guarani Kaiowa  Ava Yvy Vera – A Terra do Povo do Raio ganhou o prêmio de melhor filme tanto do júri oficial quanto do júri jovem. Co-dirigido por Genito Gomes, Valmir Gonçalves Cabreira, Jhonn Nara Gomes, Jhonatan Gomes, Edina Ximenez, Dulcídio Gomes, Sarah Brites, Joilson Brites, o documentário retrata o cotidiano de uma aldeia de retomada, rodeada por um latifúndio de soja e constantemente ameaçada pelo agronegócio. Entre rituais e falas de anciãos, se revela um povo sábio e guerreiro disposto a morrer preservar sua forma de vida. Ava Yvy Vera é resultado de duas oficinas com a Tekoha Guaiviry, no município de Aral, MS, a partir do Programa de Extensão Canto Palavra da UFMG.

Os premiados Thiago Carvalhaes, diretor de Gis; Amanda Pó, diretora de Historiografia; Vinicius Silva, Diretor de Deus; Genito Gomes, codiretor de Ava Yvy Vera; Safira Moreira, diretora de  Travessia; Pedro Maia de Brito, codiretor de Na Missão, com Kadu; e Ulisses Arthur, diretor de CorpoStyleDanceMachine acompanhado por Tikal, protagonista do seu documentário (Imagem: divulgação)

“Os diretores abordam questões cruciais para o Brasil atual: a violência em torno da terra, a destruição dos biomas naturais, os assassinatos, a impunidade, a agressão à vulnerabilidade de uma sabedoria milenar” justificou Cristina Amaral, um dos membros do júri oficial, ao ler o texto da premiação. “Entre muitos brilhos e luzes, esse filme se mistura para criar o novo, e disputa, pelo seu povo, os seus direitos pela construção de si através e com as imagens” justificou o júri jovem.

O júri oficial premiou também Travessia da carioca Safira Moreira na categoria melhor curta metragem. inspirado em poema de Conceição Evaristo, o documentário é a busca por uma memória fotográfica afirmativa de famílias negras. Ganharam menção honrosa o cachoeirano CorpoStyleDanceMachine, de Ulisses Arthur e Na Missão, com Kadu de Aiano Bemfica, Kadu Freitas e Pedro Maia de Brito. O primeiro, baseado na vivência da travesti Tikal, o segundo, uma denúncia à brutalidade e à perseguição da polícia mineira na repressão de protestos por moradia.

CorpoStyleDanceMachine (Divulgação)

Por sua vez, o júri jovem dividiu o prêmio de melhor curta  entre A Gis (SP), do paulista Thiago Carvalhaes e Deus, do carioca Vinicius Silva. A menção honrosa foi para historiografia (SP) de Amanda Pó. A Gis é a história de uma transexual brasileira torturada e assassinada em Portugal; Deus retrata o cotidiano e a intimidade de uma mulher negra, mãe de um filho de seis anos. Historiografia, por sua vez, aponta para a importância de uma epistemologia feminista, ao apresentar os vícios de uma história sempre escrita e, por conseguinte, protagonizada por homens.

A decisão do júri, em consonância com todo a programação do festival, premia filmes feitos por e para sujeitos diversos e historicamente marginalizados. Indígenas, homens e mulheres negras, travestis e transexuais, pessoas lutando pelas suas casas, para sobreviverem saem premiados e fortalecidos de Cachoeira.

Assista ao vídeo da premiação:

Premiação do VIII CachoeiraDoc. #CachoeiraDoc #Lutas #cinema #festival #filmfestival

Posted by Cachoeira Doc on Saturday, September 9, 2017

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Sobre o autor

Chico Ludermir

Chico Ludermir é jornalista, escritor e artista visual. É integrante dos movimentos Coque Vive/Coque (R)existe e Ocupe Estelita. Atualmente é mestrando em sociologia pelo PPGS-UFPE e pesquisa as relações entre arte e política.